Quinta-Feira, 9 de Setembro de 2010

EDIÇÃO 42

Uma aventura pelo Douro

No norte de Portugal: beleza, imponência, geografia inóspita e berço dos vinhos tradicionais

 

Por Arthur Azevedo

 

De todas as atividades ligadas ao vinho, uma das mais prazerosas, e cada vez mais em alta, é viajar para regiões vinícolas e vivenciar de perto todos os aspectos da produção do vinho. Dentre inúmeras regiões, uma se destaca pela sua beleza e pela desafiadora geografia, na qual se misturam paredes de pedra, encostas escarpadas e um rio de rara beleza e imponência.

 

Estamos nos referindo ao Douro, região secular situada no norte de Portugal e berço de vinhos cultuados por uma legião de fãs. O curioso é que a região não atrai um número significativo de turistas brasileiros, que gostam dos vinhos, mas não se animam a visitar a inóspita região.

 

 

Verdade que o acesso ao Douro até há alguns meses era muito complicado e a viagem do Porto até o Peso da Régua já dava uma pista do que esperava o turista: estradas sinuosas, muros de pedra e precipícios sem nenhuma proteção. Com a abertura de novas e modernas estradas, chegar ao coração do Douro se tornou muito fácil e a viagem de Lisboa até a Vila do Pinhão ficou bem mais fácil, especialmente com a ajuda inestimável do GPS.

 

A maioria das visitas turísticas à região se restringe a um rápido passeio pelas margens do Rio Douro, um passeio de barco pelo rio, uma visita a uma Quinta, com degustação de vinhos é claro, e se o turista tiver sorte, uma parada na Estação do Pinhão para ver os incríveis azulejos que contam toda a história da mais antiga região vinícola demarcada do mundo.

 

Mas isso não basta para se conhecer o verdadeiro espírito do Douro. Para se vivenciar essa experiência de modo intenso e inesquecível, é necessário um contato mais íntimo com toda a mística que cerca o Douro. Para tanto, é imprescindível passar algum tempo hospedado numa das autênticas Quintas, situadas em locais de vista privilegiada e envoltas na história da região.

 

Uma das melhores opções para esse inesquecível programa é a Quinta Nova de Nossa Senhora do Carmo, uma propriedade de 120 hectares, enquadrada na região em 1756 e cujo nome tem origem numa capela erguida às margens do rio no século 17, que alberga uma imagem em pedra de Nossa Senhora do Carmo, visando a proteção daqueles que navegavam no então perigoso Rio Douro.

 

Hoje propriedade da família Amorim, que entre outras atividades é a maior produtora de rolhas de Portugal e do mundo, teve todas as suas instalações – casa senhorial, capela, pomares e adegas totalmente restaurados -, proporcionando hospedagem com todo conforto e mantendo intacto o ambiente original da quinta.

 

O Hotel da Quinta conta com 11 quartos, com vista para as vinhas e para o Douro, decorados com móveis de época. Destaque para a gastronomia, que oferece os tradicionais pratos do Douro, além do bar de vinhos e um café da manhã com geleias deliciosas produzidas na própria Quinta. No verão, a piscina naturalmente envolvida pelos muros de xisto é um espetáculo à parte, com vista deslumbrante para o Douro.

 

No quesito vinhos, a Quinta Nova se destaca, com vinhos de ótima qualidade, em especial o premiadíssimo Quinta Nova Grande Reserva Tinto, um vinho que se alinha entre os melhores vinhos hoje produzidos no mundo. Bom passeio e ótimos vinhos...

 

Arthur Azevedo é presidente da Associação Brasileira de Sommeliers de São Paulo e editor da revista Wine Style

 

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