|
EDIÇÃO 51
Psicose
Meio século da obra mais icônica de Alfred Hitchcock
Por Fernando Mexía
O clássico de Alfred Hitchcock, Psicose, completa 50 anos como a obra-prima do cinema de suspense, reconhecido mundialmente por sua já mítica cena do assassinato no banheiro, executado pelo alienado Norman Bates. Apesar de ter estreado com críticas desfavoráveis em 1960 em uma sala nova-iorquina, o filme acabou convencendo a indústria e o público, que, meio século depois, continua fã desta obra emblemática.

Psicose voltou aos cinemas em abril no Reino Unido e em 19 de outubro vai ganhar uma edição especial em formato blu-ray - não há data de lançamento prevista no Brasil. Psycho 50th Anniversary Edition incluirá uma versão remasterizada do filme em alta definição e contará com inúmeros conteúdos extras, entre estes, um documentário sobre como foi realizado o filme, o trailer original e uma análise da inconfundível cena do chuveiro.
O filme, protagonizado por Janet Leigh e Anthony Perkins, leva o espectador a um estranho hotel administrado por Norman Bates, um homem que aparentemente vive submisso à mãe. Nele, chega uma mulher que foge para a Califórnia para começar uma nova vida com seu namorado, após ter roubado US$ 40 mil de sua empresa.
Uma parada no caminho será a última para a personagem interpretada por Leigh, que morrerá esfaqueada enquanto toma banho, em uma sequência tão reconhecida por suas imagens quanto por sua trilha sonora.
Violinos para gerar tensão
Os violinos serviram para o compositor Bernard Herrmann gerar a tensa melodia que vai “crescendo”, enquanto ocorre o ataque que, em 2009, foi votado como o mais aterrorizante da história do cinema em uma pesquisa realizada pela entidade de direitos autorais de propriedade intelectual britânica PRS for Music.


O filme, protagonizado por Janet Leigh e Anthony Perkins, leva o espectador a um estranho hotel administrado por Norman Bates, um homem que aparentemente vive submisso a mãe
Além de seu impacto audiovisual, esse crime de ficção chegou a se transformar em tema de livros, como o publicado em março por Robert Graysmith, The Girl in Alfred Hitchcock’s Shower, dedicado a falar da vida dupla de Leigh em Psicose.
O corpo nu da atriz na famosa cena era de Marli Renfro, uma mulher que chegou a ser capa da Playboy antes de desaparecer e correr a notícia equivocada de que havia sido assassinada. O papel de Renfro em Psicose foi mantido em sigilo pela produção em 1960, tanto pelo diretor quanto pela estrela do filme.
Leigh, que, por pudor, se negou a tirar a roupa diante das câmeras. Essa não foi a única artimanha do “mestre do suspense” para o lançamento do filme, que se baseou no romance homônimo, publicado em 1959 por Robert Bloch, inspirado na figura de Eddie Gein, um assassino serial de Wisconsin que nos anos 50 colecionava restos humanos em sua fazenda.
Campanha para impedir o público de conhecer o final
Uma vez que decidiu fazer Psicose, Hitchcock iniciou uma campanha para impedir que o público conhecesse antecipadamente o fim da trama, por isso, comprou todas as cópias da primeira edição do livro, cujos direitos tinha adquirido por US$ 9 mil.
Psicose foi rodado em um estúdio fechado e seu diretor exigiu que todos os trabalhadores assinassem um contrato que os obrigava a não mencionar o fim a ninguém. Com a ideia de manter a tensão durante as projeções, Hitchcock aparecia nos cartazes do filme alertando os espectadores que não aceitaria ninguém na sala após o início da sessão.
Psicose é, possivelmente, o título mais conhecido da filmografia deste cineasta, que também fez produções como Os 39 Degraus (1935), Interlúdio (1946), Janela Indiscreta (1954), O Homem que Sabia Demais (1956) e Intriga Internacional (1959). (Efe)
[ Imprimir - Envie
para um amigo ] |