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EDIÇÃO 51
O lover boy
Todos os aromas do doutor Derek Shepherd
Por Carolina Higa
Foto Vera Anderson
Nem adianta fantasiar. Na vida real, Patrick Dempsey não tem nada a ver com Derek. Em “Grey’s Anatomy”, ele é um respeitado neurocirurgião. Separado, Derek Shepherd encontrou na residente Meredith Grey, a pessoa ideal para superar a traição de sua mulher com seu melhor amigo. Apesar disso, mantém com a ex um relacionamento mais que cordial.
Agora diz se McDream não é mesmo o homem dos sonhos? Até demais, segundo Patrick Dempsey. Em entrevista à revista Cosmopolitan, o ator contou que é bem diferente do personagem. “Ele é a versão idealizada de um homem. Não sou tão boa pessoa quanto Derek”, disse ele, que compara o personagem ao Ronald do filme “Namorada de Aluguel”. “Deixei de ser nerd para ser sofisticado”, brinca.
Para começo de conversa, Patrick não mantém laços com as mulheres que passaram (romanticamente falando) por sua vida. “Nunca fiquei amigo de uma ex”, disparou. E as diferenças não param por aí. “Sou mais baixo do que pareço na televisão e sou muito mal humorado. É difícil lidar com isso”, entregou.
Mas não é só: se Derek teve que se dedicar aos estudos por anos até se tornar o cirurgião que é hoje, Patrick fugiu cedo da escola. “Eu tinha 17 anos quando larguei os estudos. Alguns anos atrás eu fiz um filme que se passava em Harvard (uma universidade americana de prestígio) e pude assistir a aulas, conversar com os alunos. Senti que não perdi nada. Mas não ter teminado a escola sempre me fez trabalhar mais”, reconhece ele.
Casado com uma maquiadora, Jillian Dempsey - “Dois atores juntos é muito difícil” -, pai de três filhos, Patrick quer uma casa no campo. Ou melhor, uma vida no campo. A casa ele já tem. “Quero continuar trabalhando até ter dinheiro para viver na minha fazenda. Quanto mais velho eu fico, mais quero morar no meio do nada”, planeja.
O ator, de 44 anos, esteve no Brasil em maio para o lançamento de seu segundo perfume, “Patrick Dempsey 2”. Para a entrevista de divulgação em um hotel em São Paulo, era necessário que os jornalistas enviassem uma foto e um pequeno currículum.
A exigência pareceu exagerada, mas foi graças à foto, que o Dr. McDreamy veio em minha direção no lobby do hotel, onde conversava com outras pessoas, e se apresentou: “Oi, é com você que eu vou conversar daqui a pouco, não é? Prazer, Patrick”, disse com um largo sorriso, para, em seguida, me oferecer champanhe. Após uma negativa, ele insistiu com um sorriso: “Mas hoje é domingo.”
Diferentemente de outras celebridades, internacionais e nacionais, o ator hollywoodiano não poderia ser mais “normal”. E apesar da recomendação da assessoria em não fazer nenhuma pergunta relacionada à sensualidade, após os vinte minutos de conversa, posso dizer com convicção, que ele respondeu às perguntas sem estrelismo, sendo ainda mais agradável do que seus personagens.

Esta é sua primeira vez no Brasil? Patrick Dempsey - Cheguei de manhã, e só vi o hotel, o tráfego. Mas as pessoas são muito gentis. Espero poder ter tempo para passear um pouco. Seu personagem em “Grey’s Anatomy”, o Dr. Derek Shepherd, é um dos favoritos da série no Brasil.
Por que você acha que ele é tão querido? Patrick Dempsey - Acho que o Dr. Shepperd ama muito a Meredith [papel de Ellen Pompeo], passa por muita coisa por ela e a aceita, não a julga tanto, e acho que é por isso que as pessoas gostam tanto dele. Não imaginava que ele seria esse sucesso. Tem sido uma experiência incrível.
O que você acha que mudou no Dr. Shepherd após ele se tornar chefe?
Patrick Dempsey - Ele ficou mais responsável. E ele está um pouco frustrado por não ficar tanto tempo na sala de operações quanto gostaria.
Você trabalha em televisão há muitos anos, seu último filme foi “Idas e Vindas do Amor”. Você prefere fazer TV ou filmes? Patrick Dempsey - Eu prefiro estar trabalhando, não me importa onde. Eu acho a televisão incrível. O programa está lá toda semana, é algo poderoso. O filme você grava e ele demora um ano ou dois para ser lançado. São experiências diferentes.
Você sempre faz papéis de caras bonzinhos. A sua família chega a te influenciar na hora de escolher seus papéis? Patrick Dempsey - Sim, eu acho que sim. Mas isso está mudando, vou fazer dois filmes bem diferentes. Claro que você quer fazer papéis que entretenham seus filhos, mas às vezes prefere fazer algo que o desafie, interpretar personagens não tão queridos, que tenham defeitos e que as pessoas não se identifiquem. E é importante tentar algo novo.
E quais são esses novos filmes? Patrick Dempsey - “Flypaper”, que começo a filmar no fim do mês, e “Transformers 3”, no qual interpreto um personagem que é bem mais “dark” do que os outros.
Como é ser considerado um símbolo sexual aos 44 anos? Patrick Dempsey - Eu me sinto muito lisonjeado e gosto, certamente, me divirto com isso.
Você leva uma vida discreta, dificilmente o vemos em eventos e em fotos de paparazzi. É difícil manter a discrição em Hollywood?
Patrick Dempsey - Eu gosto de ficar em casa, não saio muito. Eu trabalho tanto, que quando não estou trabalhando, gosto de ficar com a minha família, e nem saio.
Os papparazi não seguem você e sua família? Patrick Dempsey - Eles não estão aqui, estou um pouco desapontado (risos)
De que maneira um ator se envolve no projeto de lançar um perfume que leva seu nome? Patrick Dempsey - Este é meu segundo perfume. Realmente gostei muito. Participei de todo o projeto, da escolha dos ingredientes, dos aromas, do design do pacote, da campanha. Adorei tudo isso. E aprendi todo o vocabulário que se usa na criação de um perfume. E no fim, o que você quer é que as pessoas fiquem satisfeitas, que gostem.
E que tipo de homem você quer que use o perfume? Patrick Dempsey - Um homem legal. Um homem sexy (risos).
Até onde chega sua vaidade? Patrick Dempsey - Todo mundo é vaidoso, você não acha? Não sou mais vaidoso do que qualquer um. Demoro uns vinte minutos só para sair da frente do espelho. Não, é brincadeira (risos).
O que é a fundação Patrick Dempsey Center for Cancer Hope and Healing? Patrick Dempsey - É uma comunidade de bem-estar. Eu não sou médico, apesar de interpretar um na TV (risos). Minha preocupação é mais com as pessoas que são diagnosticadas com câncer e que precisam lidar com todas as informações que recebem dos médicos e do seguro. Minha mãe teve câncer de mama, ela é uma sobrevivente. E os familiares não sabem o que fazer ao saber que o parente tem câncer. Minha mãe foi diagnosticada há 11 anos, e eu estava nessa posição, não sabia o que fazer. A minha irmã trabalhava num hospital e nos ajudou com informações importantes. Hoje há tantas opções sobre o tratamento, medicamentos, hospitais... As pessoas estão sendo diagnosticadas mais cedo e estão sendo tratadas, fazendo o que precisa ser feito. A fundação está crescendo. O website é exatamente para que todos possam ter acesso à fundação, para que pessoas do Brasil possam enviar suas perguntas e receber ajuda. Queremos que seja algo global. (Uol)
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