Terça-Feira, 7 de Setembro de 2010

EDIÇÃO 50

Marcos Frota

Fala de como conseguiu reinventar o circo no Brasil

 

Por Anderson Botan

Foto Lúcio Érico

 

 

Residenciais. A visão de circo mudou ao longo do tempo. Hoje já é outro espaço?
Marcos Frota.
O circo hoje mantém o seu lado lúdico, mas com uma linguagem diferente. Permaneceu vivo nesses anos todos, exercendo uma desobediência civil, que é essa coisa da liberdade, e chega hoje revigorado e reinventado. Sua linguagem e estética foram reformuladas, mas a característica essencial, o seu formato em picadeiro, em arena, e a superação, além do convite ao sonho e à fantasia, provocado pela cor lúdica que o circo tem, não vai se modificar nunca. Isso está presente desde o pequeno circo da periferia até o Cirque Du Soleil. A magia do circo será sempre o impacto que tem no coração de uma criança ou no olhar de um adulto.

 

Residenciais. Como foi o processo de reinvenção do circo?
Marcos Frota.
Hoje está misturado entre as famílias tradicionais e os profissionais de outras áreas. Os diretores de espetáculos vêm de outras esferas. Antes era o próprio dono do circo que dirigia o espetáculo, que contratava e comandava o picadeiro. Hoje, são contratados profissionais de outras áreas para dirigir o espetáculo, formados em artes cênicas, artistas plásticos, performáticos. Há uma economia diferente também. Antigamente, a presença dos animais era fundamental e o transporte e os espaços eram mais adequados à presença do animal no picadeiro. Antigamente, você fazia a mídia de circo com um cartaz ou um carro, hoje você precisa usar rádio e televisão e isso tem um custo.

 

Residenciais. O circo se transformou em um espetáculo mais teatral?
Marcos Frota.
Acho que a teatralidade do circo é um caminho novo. Tem esse novo circo, que acontece em escolas, em praças públicas, em ginásios esportivos e, consequentemente, o resultado desse trabalho todo é uma cara diferente. Mas a linguagem é universal, continua a mesma, une-se o que há de mais tradicional com as novas propostas. Tenho 54 anos de idade, frequento o circo desde os meus 10 anos, década de 60, que era povoada pelos grandes circos, e a minha imaginação de artista vem deste picadeiro. A minha equipe foi formada com elementos do novo circo, mas trago a lembrança, a cultura do circo mais tradicional. O que proponho é um encontro destas duas linguagens.

 

Residenciais. Qual é a fórmula para manter a magia do circo?
Marcos Frota.
A magia do circo vai ser mantida com a criação de uma nova geração de artistas, que estão em sintonia com tudo que está acontecendo. Todo material da internet e o encantamento que o cinema propõe para nosso olhar. A minha missão é provocar uma quebra de barreiras e preconceitos para o surgimento de uma nova geração de artistas. Essa é minha contribuição e a única forma de manter o circo vivo. Não pode ficar à mercê apenas da tradição, porque tudo tem sua época. O Brasil é um país aberto a receber todo tipo de manifestação artística. Temos de receber influências boas, como o Cirque Du Soleil, que tem como diretora artística uma brasileira, a Débora Colcker.

 

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