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EDIÇÃO 50
Filho único: uma realidade moderna
Criança birrenta, emburrada, maleducada e sem limites. Este é o estereótipo que muitos têm de um filho único. Mas atualmente a realidade é bem diferente
Por Renata Guerreiro
Foto Silvio Juan Locke
Criança birrenta, emburrada, maleducada e sem limites. Este é o estereótipo que muitos têm de um filho único. Mas atualmente a realidade é bem diferente.
Criar um filho sem irmãos não é necessariamente ter um pequeno ditador em casa. O índice de famílias brasileiras que optam por ter apenas um filho tem crescido consideravelmente e esta decisão é tomada por diversos motivos, que incluem condição financeira, gravidez tardia, vida profissional etc.

Independente dos fatores que levam a esta condição, o importante é ressaltar que não existe nenhuma perda real em ser filho único.
A criança que cresce sem irmãos não será basicamente mimada ou solitária. Quando a família interage de forma saudável e sem excessos nos momentos em comum e incentiva a convivência da criança com primos, amigos e vizinhos a solidão não será um problema.
“Desde que os pais cultuem bons hábitos de educação e a criança tenha a oportunidade de no momento adequado ser inserida na sociedade, através do ingresso na escola, ser filho único não é um problema”, explica Antoniele Fagundes, consultora Familiar, formada em Filosofia e com quatro anos de Psicologia.
Muitas famílias alimentam a preocupação da criança não aprender a compartilhar, por ser sozinha. Espaços ou aparelhos que são divididos em casa como banheiros, escritórios, televisores e computadores são um bom exercício para inserir este conceito na vida da criança.
Aprenda a controlar o impulso
Outro ponto significante na criação de um filho único é aprender a controlar o impulso de fazer tudo pela criança. É importante que ela exercite suas capacidades e aprenda com seus erros e acertos.
“A atitude de educar sem exageros com a prontidão constante levará os filhos a compreender que existem outros interesses e pessoas além deles. E mais, ensinar que nem por isso eles deixam de ser importantes”, observa a consultora.
Em alguns casos os pais criam muitas expectativas sobre a criança, seus talentos, seu futuro etc. Situações deste tipo provavelmente podem levar à frustração.
A criança tem que ter liberdade para desenvolver suas habilidades de acordo com suas preferências e não apenas para realizar os sonhos dos pais.
Embora muitos enumerem diferentes aspectos negativos em ter apenas um filho, também existem pontos positivos nesta história.
O filho único possivelmente se tornará um adulto confiante porque se sente valorizado dentro do lar e o vínculo com os pais tende a ser mais próximo por conta do convívio.
Não se preocupe quando disser que tem um filho único e alguém falar: “deve ser mimado”. O pré-conceito existe e leva as pessoas a terem avaliações precipitadas.
O que faz a diferença é a sua consciência sobre a criação que dá ao seu filho e os exemplos que dará por meio da convivência. A educação reflete os valores da família e isso independe de criar um, dois ou dez filhos.
O filho único possui também mais qualidades que defeitos. Sempre foi dito que o conceito de filho único estava associado com a extrema proteção e a má educação.
No entanto, hoje em dia, o panorama dessa situação está mudando. As investigações chegam a assegurar que uma criança que é filha única, possui mais qualidades que defeitos.
Centro do universo
Antes, o filho único, tinha fama de crer que era o centro do universo, de ser egoísta, malcriado e rebelde. Hoje em dia, vê-se o lado positivo da situação. Considera-se o filho como uma pessoa normal, independente de ser filho único ou não.
Segundo a psicóloga argentina Gabriela Ensinck, o fato de ser filho único não é um elemento que define por si só o futuro de uma criança.
Sua evolução, como a de qualquer outra, depende da educação que lhe dá seus pais. O filho único pode ter um desenvolvimento tão sadio quanto o filho com muitos irmãos.
Alguns problemas que experimentam as crianças, como a dependência dos pais, o consentimento, a superproteção e a introversão não são apenas características dos filhos únicos.
Deve-se, na maioria das vezes à maneira como os pais as educam. Hoje entre 20 e 30% dos casais têm apenas um filho.
São muitas as famílias que decidem ter apenas um filho por diferentes razões. Em primeiro lugar, ter apenas um filho, dá à mãe mais oportunidade de trabalhar fora de casa.
Em segundo lugar, muitos pais não chegam a ter o número desejado de dois ou três filhos devido a uma ruptura antecipada matrimonial.
Em terceiro lugar, a infertilidade impede o nascimento de mais crianças. Na China, a situação é especial. O governo limita a população a ter apenas um filho.
Por um lado, para as famílias, supõe-se a metade de preocupações e a metade de gastos. Além de tudo, é possível ocupar-se melhor do filho e dar-lhe mais oportunidades e facilidades na vida.
Existem especialistas que afirmam que os filhos únicos possuem mais capacidade para ser vencedores na vida.
Consideram que a criança vive com uma carga menor de ansiedade porque não tem que disputar o espaço nem a atenção dos seus pais, o que pode ser incoveniente porque a criança não aprende a compartilhar.
Tudo lhe pertence
O problema de crescer sem irmãos é que todas as expectativas e as exigências familiares estarão postas sobre ele.
Talvez seja por isso que alguns estudos sinalizam que um filho único cresce com ideias de vencedor, devido a seus pais projetarem nele suas próprias ilusões e sempre exigirem dar o melhor de si mesmos. O filho único sofrerá os medos e os erros dos seus pais.
Não terão com quem compartilhar. E, além disso, aborrecem-se um pouco mais que o normal. Mas nada é tão definitivo. Tanto os filhos únicos como os que têm irmãos passam pelas mesmas situações.
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