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EDIÇÃO 50
O Culto do Amador
Fenômeno mundial do amadorismo chegou com força total ao mundo dos vinhos
Por Arthur Azevedo
Assunto dominante no evento Wine Future 09, realizado na Espanha em novembro último, a qualidade e a confiabilidade das informações disponíveis nas diversas redes sociais (Facebook, Orkut, Twitter, My Space e outras), no You Tube e em inúmeros blogs e websites que se multiplicam a cada minuto, vêm despertando o interesse dos especialistas no mundo todo.

Para uma melhor compreensão do assunto, vale recapitular a origem do título que abre essa matéria. “Culto do Amador” é o nome do livro de Andrew Keen, editado no Brasil pela Zahar Editora, cujo tema central é a celebração do amadorismo, o que permite que qualquer pessoa, por mais mal informada ou mal-intencionada que seja, emita sua opinião sobre temas os mais diversos possíveis, fazendo com que muitas pessoas, inadvertidamente, recebam informações errôneas, visto ser hoje praticamente impossível medir a confiabilidade da informação postada.

O livro O Culto do Amador, de Andrew Keen,
trata da celebração do amadorismo,que
permite ao mal informado emitir opiniões
sobre temas os mais diversos possíveis
Pior ainda, muitos desses pseudoespecialistas se escondem no anonimato, o que dificulta ainda mais qualquer tipo de verificação. Sobre o livro, o New York Times disse não ser “clara a linha divisória entre fato e opinião, entre a informação de um especialista e a especulação de amadores”. Um comentário preciso e absolutamente procedente.
Esse fenômeno mundial do amadorismo chegou com força total ao mundo dos vinhos, com consequências nefastas, visto o vinho ser uma bebida que envolve diretamente a ciência em sua elaboração e apreciação.
Quando se fala em qualificar informações, não está se preconizando censura a quem quer que seja, e sim não permitir que inocentes úteis sejam usados pela indústria do vinho para validar produtos de péssima qualidade, que, lamentavelmente, se encontram às centenas em todos os países.
Para completar o quadro, se instituiu uma campanha insidiosa de desmoralização dos verdadeiros especialistas, disseminando a ideia de que qualquer pessoa pode avaliar tecnicamente um vinho, seja ele de que estilo for.
Nada mais falso e perigoso para o consumidor, que vira presa fácil nas mãos desses manipuladores de informações, sendo levado a comprar vinhos nada agradáveis. Consumidores comuns tendem a dar opiniões baseadas no hedonismo, do tipo “gostei” e “não gostei”, que em última análise não servem para absolutamente nada, pois refletem um gosto pessoal, que pode ou não ser útil para outros consumidores.
Pior ainda são os blogs de pseudoespecialistas, que são alimentados por produtores inescrupulosos, ou seja, onde pessoas que não têm a menor noção dos diversos aspectos do vinho e sem nenhuma formação específica, por mínima que seja, se travestem de profundos conhecedores de um assunto do qual não têm noções rudimentares.
As facilidades trazidas pela internet escondem armadilhas para o consumidor de vinhos, que só poderão ser evitadas se a fonte das informações for cuidadosamente avaliada e as informações criteriosamente filtradas. O “Culto do Amador” deve sempre estar presente nas considerações de qualquer consumidor consciente, especialmente em assuntos que dependam de formação específica e bem fundamentada.
Arthur Azevedo é diretor da Associação Brasileira de Sommeliers-SP, editor e diretor da revista Wine Style www.winestyle.com.br
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