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EDIÇÃO 49
Elba Ramalho
Fala sobre o rótulo de ser cantora nordestina, de adoção e sobre relacionamentos com pessoas mais jovens
Por Bruna Mozer Foto Ângelo Ferri

Residenciais. Em alguns trabalhos você mescla outros estilos musicais. Esta é uma forma de fugir do rótulo de cantora nordestina? Elba Ramalho. De forma nenhuma, mas poderia sair a hora que quisesse, porque sou livre e essa liberdade é o que mais me agrada. Mas, mesmo passeando por vários ritmos, o Nordeste está presente no meu trabalho de ponta a ponta. Venho de uma formação musical diferenciada. Já gravei Cartola, Chico Buarque, Edu Lobo etc. Tudo o que é vertente da música popular brasileira, como intérprete, já gravei e já toquei nessas obras. Poderia fazer um trabalho de samba ou de blues, mas sempre opto pelo trabalho que dá para relacionar com o Nordeste. Em nenhum momento, saio dele. O Nordeste está em mim.
Residenciais. Ser uma cantora nordestina está limitado a Carnaval ou a festa junina? Elba Ramalho. Toco muito no Carnaval, até sou eleita, na região de Pernambuco e Paraíba, a musa do Carnaval e da festa de São João. E fico muito honrada por isso. Mas canto em qualquer época aqui, nos Estados Unidos, no Japão, trabalho no mundo todo. A música é a música, e quanto mais regional eu sou, mais universal eu me torno.
Residenciais. Por que a opção pela adoção? Tem algo a ver com sua espiritualidade. Elba Ramalho. Tenho um amor incondicional dentro de mim que me faz enxergar muito além do que a sociedade delimita. Enquanto muitas pessoas acham que envelhecer é aproveitar o resto da vida se divertindo, para mim, envelhecer é permitir que a sua sabedoria não suma. Ao adotar três filhas, isso me permitiu fazer coisas melhores. Hoje sou uma pessoa muito mais tranquila. Adoção para mim é um ato de amor. Sempre tive o pé no chão. Cada um, em sua condição, se realiza e o meu sucesso não quer dizer que perdi a espiritualidade. Pelo contrário, o meu sucesso me fez ter mais consciência espiritual.
Residenciais. Você entrou na tendência atual de relacionamentos com pessoas mais jovens? Elba Ramalho. Não posso dizer que só me relaciono com pessoas mais jovens. Já fui casada outras vezes com pessoas da mesma idade. Coincidentemente, agora me relaciono com alguém mais jovem. Não pergunto a idade. A idade vem depois. O amor é atemporal. Duas pessoas que se encontram, se afinam ou não. Não há regra para o amor.
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