Domingo, 5 de Setembro de 2010

EDIÇÃO 49

Vinho sul-africano e futebol

O futebol fez os brasileiros descobrirem que a África do Sul é um dos mais interessantes países do chamado Novo Mundo do vinho

 

Por Arthur Azevedo

 

O futebol fez bem ao vinho sul-africano, pois, graças a ele, os brasileiros descobriram que a África do Sul, além da beleza e das riquezas naturais, é um dos mais interessantes países do chamado Novo Mundo do vinho.

 

Poucos sabem que a produção de vinhos naquele país começou há muito tempo. Para ser mais preciso, no século 17, com a chegada dos colonizadores holandeses, com a Companhia Holandesa das Índias Orientais.

 


Uvas diferenciadas

 

O Cabo da Boa Esperança estava distante de regiões vinícolas importantes e, portanto, seria interessante que tivesse vinho em quantidade suficiente para consumo de seus habitantes e para abastecer os navios que ali passavam a caminho das Índias.

 

Pensando nisto, o governador da província autorizou a importação e o plantio de uvas de diferentes variedades, de procedência francesa, que seriam utilizadas para a produção de vinhos para suprir as necessidades da nova colônia.

 

O primeiro vinho da região data de 1659, o que torna a África do Sul a mais antiga região produtora do Novo Mundo. Este é o mítico Vin de Constance, um delicioso vinho doce baseado na uva moscatel, que até hoje é a grande estrela do país.

 

 

Vinhos de alta qualidade

 

A África do Sul é fonte de vinhos de alta qualidade, produzidos em regiões de grande relevância como Stellenbosh e Paarl, ou em áreas muito famosas como Walker’s Bay e Franschhoek (literalmente “Cantinho dos Franceses”) e muitas outras.

 

Devido à odiosa política do Apartheid, vigente no país até 1990, os vinhos sul africanos eram muito pouco comercializados no mundo. Com o fim desse regime, os vinhos ganharam o merecido reconhecimento internacional, inclusive no Brasil, onde aos poucos vão sendo mais conhecidos.

 

Pinotage: a uva original

 

Uma curiosidade na África do Sul é a existência de uma uva original, a híbrida Pinotage, desenvolvida em 1925 por A.I.Perold, que obteve sucesso no cruzamento da Pinot Noir e da Cinsaut (ou Cinsault), duas conhecidas varietais francesas.

 

Em sua melhor forma, a Pinotage dá origem a vinhos escuros e concentrados, bastante potentes e com aromas e sabores exuberantes. Outro destaque são os vinhos brancos, em especial os produzidos com as uvas Sauvignon Blanc e Chardonnay, que combinam com perfeição com a gastronomia local, focada em peixes e frutos do mar.

 

Na ala dos tintos, brilham com intensidade as varietais francesas, tais como a Cabernet Sauvignon e a Syrah, essa última uma estrela em ascensão. As carnes especiais, como avestruz e o delicado Karoo Lamb (cordeiro de leite da região da savana, em Klein Karoo) são a companhia ideal para esses suculentos tintos.

 

Arthur Azevedo é diretor da Associação Brasileira de Sommeliers-SP, editor e diretor da revista Wine Style www.winestyle.com.br

 

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