Quinta-Feira, 9 de Setembro de 2010

EDIÇÃO 47

Herança

Fala sobre a herança de ser filho de Elis Regina e Pedro Camargo Mariano

 

Por Bruna Mozer

 

 

Residenciais. Há muita pressão por ser filho de Elis Regina e Pedro Camargo Mariano?
Pedro Mariano. A pressão externa existe, mas não me incomoda e nem tira o meu sono. A pressão maior vem de mim para comigo mesmo. Como músico, ser filho de dois ícones da música brasileira me faz criar um parâmetro de comparação alto, mas acho bom. O fato de vê-los como ícones, e ser um praticante da música e ainda ter essa proximidade com eles, é estimulante e não uma pressão. A pressão, quando ocorre, é saudável, no sentido de que quero ser digno desta herança.

 

Residenciais. Seu início na música foi ao acaso?
Pedro Mariano. Nada é por acaso. Tracei o meu caminho e escolhi o mais difícil. Seria muito mais fácil regravar Gil, Caetano ou Vinícius. Mas não vim à Terra para cumprir tabela. Não faço as coisas pela fama ou pelo sucesso, mas pelo meu reconhecimento profissional que começa de dentro para fora. Não vou ficar me promovendo às custas de coisas que não me convencem e não são reais, simplesmente para me posicionar no mercado. Este tipo de artista não me convence porque tem vida curta.

 

Residenciais. O que é incondicional na sua vida?
Pedro Mariano. Paz. Dormir bem. Não dever nada a ninguém. Chegar em casa e ver minha filha tranquila e leve. Mesmo com a profissão que tenho, procuro dormir cedo, acordar cedo, praticar atividade física e passar a maior parte do tempo possível com minha filha. Procuro ter uma vida normal, não regada a glamour. Incondicional para mim é chegar na minha casa e encontrar tudo do jeito que deixei quando sai.

 

Residenciais. Você considera sua música muito elitizada?
Pedro Mariano. A minha música é popular se você colocá-la num canal popular. Se der abertura, com certeza vai chegar às pessoas. O problema é que a cultura está canalizada. Tem muitos fãs que reclamam que não vou ao Nordeste e fico só no eixo Rio-São Paulo, mas o acesso é difícil. Como as rádios não tocam minha música nas outras regiões, o conhecimento fica limitado. Faço a minha música, porque sei que ela vai chegar a todo mundo em alguma hora. Essa é a minha briga. O mesmo ocorre com a mídia que só faz matéria com artista consolidado ou com músico que tem show lotado.

 

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