Terça-Feira, 7 de Setembro de 2010

EDIÇÃO 46

E Deus criou Natalie Portman

Bonita e talentosa, feições delicadas e rosto de menina. Mas essa estrela de Hollywood é muito... Muito mais do que isso

 

Por Renata Guerreiro

Foto Alan Spiker

 

Acredite. Quem pensa que Natalie Portman é apenas mais um rosto bonito na tela dos cinemas está mais do que errado. Seu nome completo é Natalie Hershlag e ela nasceu em Israel, em 9 de junho de 1981. Foi para os Estados Unidos aos 4 anos. Sua carreira começou aos 12 no filme “O Profissional”, que lhe rendeu um Globo de Ouro como melhor atriz coadjuvante, concorrendo também, em 2005, na mesma categoria ao Oscar. Mesmo empenhada em sua carreira artística, Natalie Portman não negligenciou seus estudos, formando-se em Psicologia pela Universidade de Harvard.

 

É uma pessoa que leva seus ideais sempre à frente. Gosta de se considerar um modelo de garota correta. Odeia violência e sexo usados de maneira vulgar. Vegetariana desde os 8 anos de idade, hoje atua em defesa dos animais e do próximo.

 

Faz parte do movimento Vegan, na qual prega que tudo que é de origem animal, como carne e pele não deve ser consumido. Também atua defendendo seus ideais políticos, estando sempre envolvida em campanhas presidenciais nas quais acredita. Como podem ver, essa grande atriz veio pra ficar, pois, além de bonita, tem o que falar. É uma das atrizes mais respeitadas de sua geração.

 

Solteira e atarefadíssima

Além de sua beleza natural, ela costuma andar sem maquiagem e gosta de combinações básicas como jeans e uma blusa neutra. Hoje, Natalie está “solteira e atarefadíssima” com projetos de trabalho para 2010. A atriz ficou conhecida no cinema por interpretar a jovem Evey, em “V de Vingança”; Padmé Amidala, a mãe da princesa Leia, em “Star Wars”, quando era bem jovem; e também por viver uma stripper em “Closer - Perto Demais”, drama do diretor Mike Nichols, com Julia Roberts, Jude Law e Clive Owen.

 

Nova fase

Natalie está em nova fase na vida profissional e, por isso, decidiu evitar protagonizar cenas de sexo na sua carreira em Hollywood. À edição britânica da revista “Elle” de fevereiro, a atriz disse que quer se descolar, deliberadamente, do status de “objeto sexual”, depois que o filme “O Profissional” (no qual a atriz, então com 12 anos, atua com o ator francês Jean Reno, na época com 46) lhe rendeu a fama de Lolita - e uma enxurrada de cartas “estranhas” de homens.

 

“A imagem de boa moça foi algo que cultivei conscientemente após O Profissional. Houve muita controvérsia sobre a imagem de Lolita. Meus pais eram superprotetores, mas recebi um monte de cartas estranhas. Foi realmente perturbador. Não quero ser vista como um objeto sexual. Então vou na direção oposta.”

 

A atriz faz questão de salientar que não é “puritana sobre sexo ou nudez”, e que apenas não quer fazer algo que acabe como uma cena editada em um site pornô. “Você vê atrizes que venderam a si próprias a partir dos seus corpos, e eles podem ser bons. Mas, ao longo do tempo, elas só perdem, porque esse tipo de coisa não dura.”

 

Bem... Apesar de não querer se lançar em nenhum papel de símbolo sexual, Natalie posou recentemente para revistas em trajes e poses bem sexy. Ok, na moda vale tudo!

 

 

Começou a trabalhar cedo

Por ter começado a trabalhar muito cedo, Natalie não aproveitou parte da adolescência como os jovens normais. “Não fui a festas no colégio e não toquei em maconha até os meus 20 anos. Não fiquei muito bêbada até ir à universidade. Mas acho que isso foi bom de várias formas. Teve todo um crescimento nisso [em ter trabalhado tão jovem]”, diz. Outra revelação feita pela atriz é que, em seu primeiro trabalho, a atriz ficou no lugar da cantora Britney Spears como substituta numa peça do circuito alternativo de Nova York.

 

Nada de estereótipos

Nada de mulheres judias, namoradas tolas, ou símbolos sexuais. Natalie Portman revela que detesta interpretar os estereótipos. “Sempre tentei me manter distante de personagens judias. Recebo cerca de 20 roteiros sobre o holocausto por mês, mas detesto o gênero”, afirma. “O filme ‘New York, Eu Te Amo’ foi o primeiro que realmente me intrigou”, justificou sobre sua elogiada primeira participação como diretora.

 

Sobre os papéis de namoradas descerebradas, ela foi mais categórica: “Isso não me anima. Ou então os convites que recebo para aquelas comédias românticas na qual a mulher só tem de usar boas roupas e buscar um casamento...”

 

Natalie diz também que nunca estrelou uma comédia porque sempre buscou algo mais desafiador para sua carreira. Para ela, as comédias românticas costumam ser ofensivas ao tratarem de assuntos mais superficiais. Somente agora a atriz se sente pronta para encenar alguma comédia. “Estou mais interessada em achar personagens que me façam rir”, comenta.

 

Novos projetos

Natalie Portman vai estrelar e coproduzir a adaptação um tanto quanto exótica de “Orgulho e Preconceito”, da escritora inglesa Jane Austen. Na verdade, a base do filme será o livro-paródia de Seth Grahame-Smith “Pride and Prejudice and Zombies”, que em português quer dizer “Orgulho, Preconceito e Zumbis”.

 

A atriz dará vida a Elizabeth Bennett, heroína vivida por Keira Knightley em filme de 2005. Mas a adaptação com Natalie tem uma diferença crucial àquela vista no filme de Joe Wright: incluem mortos-vivos na história que remonta as relações sociais do século 19.

 

A Elizabeth de “Pride and Prejudice and Zombies” trafega pelos círculos sociais daquela época com traquejo, mas também mostra outra habilidade que Jane Austen dificilmente cogitaria para sua heroína: o talento para caçar os comedores de carne humana com espadas.

 

A atriz também será uma das protagonistas de “Thor”, adaptação da revista em quadrinho da Marvel para o cinema. Natalie será Jane Foster, uma enfermeira que se torna o primeiro amor do herói Thor, no filme dirigido por Kenneth Branagh.

 

O filme, que deve estrear nos Estados Unidos em 2011, contará ainda com Chris Hemsworth no papel de Thor e Tom Hiddleston, que interpretará o vilão Loki. Portman está em cartaz atualmente na Europa no drama “Entre Irmãos”.

 

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